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opoetamaldito


Sexta-feira, 23.09.16

A CRISE QUE PARA TANTOS CAIU DO CÉU

 

Nos ecrãs, os faladores especialistas em economia e política, quase sempre os mesmos, falam do défice, da dívida, do desemprego e da crise, fazendo a cabeça aos portugueses com o seu saber desencontrados para servirem os portugueses com todas as ideologias de espectro político, das quais resulta a divisão dos que vivem cada vez mais mal, mas com a sua ingenuidade acreditando que o seu partido tem a solução para a crise, ou simplesmente olha para estas questões de modo clubístico. Até há os que metem os partidos todos no mesmo saco, dizendo que são todos culpados e iguais e que os cidadão deviam correr com eles. Estes, são os que estão madurinhos para aceitarem o fascismo, pois o que eles acabam querendo é um partido único contra os outros todos, típico do fascismo para, aí, além de pior, termos a repressão e o crime feitos poder. Claro que, da divisão faz o capitalismo a sua festa.

Se prestarmos atenção aos faladores, ouvimos que eles pronunciam muitas vezes a palavra crise, mas jamais explicam como é que ela se forma, não vá as pessoas raciocinarem e chegarem à conclusão quem são os culpados, e deste modo ficar ao alcance de quem pensa pouco nestas matérias que são a maioria numa sociedade, e pensarem que a crise não foi algo que caiu do céu.

Chegado aqui, vou tentar mostrar que a crise não caiu do céu coisa nenhuma e tem a ver com a exploração do homem pelo homem, frase que, quando relacionada com o socialismo, dizem jocosamente que este é ao contrário. Mas a verdade é que, os adoradores do capitalismo não gostam da frase e nunca se lhes ouve.

Então começo por dizer que, o capitalismo não tem por princípio se investir porque as pessoas precisam de coisas para as suas vidas, mas para lucrarem com as coisas que as pessoas precisam para as suas vidas. É esta diferença que existe entre o princípio socialista para o capitalista. Na verdade, no capitalismo, seja qual for a atividade comercial ou outra, é para obter lucro. Este resulta da diferença entre a despesa a produzir um produto, para o que rende ao vender, devendo o lucro ser considerado tão legítimo como um salário a qualquer trabalhador, nada de mal a dizer.

Só que, o capitalismo tem um carácter perverso que nos faz o mal de que muitos padecemos.

É a acumulação a que as atividades mais bem sucedidas dão origem, ainda aqui nada demasiado censurável, não fora o poder do dinheiro e riqueza se associarem ao poder governativo para no conjunto ganharem ambos o dinamismo que se caracteriza por: quem mais rico é, mais influencia o poder, que por sua vez, favorece quem mais tem, catapultando a desigualdade à escala global, porque para o capitalismo não há fronteiras, nos pondo dependentes dos que cobram pelo dinheiro deles, milhões de milhões de juros/ano. Isto porque, o poder nesta dinâmica perde a sua função de regulador, também à escala global com os povos escravizados pela dívida absolutamente impagável, com o poder sempre do lado do credor de cuja riqueza os povos ficam dependentes. Dizendo de outro modo: o poder governativo numa fase colabora na exploração do povo, e noutra trata de assegurar a acumulação e o rendimento desta, a favor de quem ajudou a acumular, ou seja se pondo sempre do lado de quem tem mais. Isto é muito claro observando a realidade de um país, mas ainda assim, poucos têm consciência que é deste modo que são explorados. Sim, é disso que se trata, a desigualdade obtida por este processo é exploração, tendo o poder político culpas muito sérias. É a escravização do povo pela dívida, sendo esta inexorável e efetiva com a colaboração em todas fases pelos que elegemos e nos governam.

À exploração vista pelo processo descrito, se juntam ainda os processos que os financeiros usam para fazerem as suas jogadas gananciosas que são mais exploração com produtos ardilosamente estudados para serem mais exploração. Só que, aqui já não tenho o a à vontade para falar deles, mas em termos de exploração raiam o crime e ainda há a corrupção. Para quem achar a palavra crime é forte demais, lembro que já há uma palavra para classificar o comportamento de banqueiros: os bangsters.

A exploração que leva à grande acumulação tem o poder de se hierarquizar pela maior quantidade de riqueza manipulada, que são os cada vez mais donos de tudo, sacando cada vez mais, aos que mais fazem ompobrecer. Para quem puser este estado de coisas em causa, eles têm uma arma altamente eficaz com o nome chantagem, que, esta bem a conhecemos como dolorosa é, olhando para a nossa realidade nos dias que correm.

Como o capitalismo não tem fronteiras, tudo está globalizado, exatamente com o mesmo caráter.

E aqui têm como se formou a crise e que esta não caiu do céu, mas tem autores e comportamentos, mas que os especialistas escondem ciosamente, porque, estão vendidos ao sistema ou têm a mente por ele formatada e são mal formados, aceitando as injustiças como coisa natural, tal como terão outros noutros tempos achado a escravatura e outros males, que uns homens fizeram a outros. Aqui têm mais uma razão para o meu anti-capitalismo por conta própria, feito apenas da observação, sem falar em partidos, pois estes de facto dividem as pessoas tirando-lhes a capacidade verem por si próprias como ocorre a exploração e não compreendem a razão do drama das suas próprias vidas e os da sociedade, e é angustiados que dizem tantos disparates por não conhecerem os meandros da exploração. Só com cultura política, também esta globalizada pode a humanidade ter consciência que a riqueza planetária é de todos sem deixar ninguém de fora. A crise tem a ver com a violação e atropelo deste princípio, fazendo o mal que é este jugo onde a humanidade foi metida pelos que são uma minoria, mas possuem os mecanismos de dominação.

E é assim que, quando lemos comentários no Facebook, a desorientação é total, devido à falta de cultura política e capacidade de observação e outros defeitos no ser humano, havendo também os que sabem como funciona a ainjustiça, são os privilegiados pelo sistema, e combatem quem deseja um mundo mais justo, porque sabem que um mundo mais justo mexe em privilégios. Atenção que, aqui a palavra combate é só no campo das ideias, é para isso que a democracia serve.

 

Alfredo Poeta

 

 

 

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por opoetamaldito às 18:41

Terça-feira, 07.07.15

Civilização sem dinheiro

Civilização sem dinheiro 

 Este poste só pode ser entendido com a leitura do anterior

 

Qualquer observador atento, vê duvidas que o sistema capitalista tal como existe, esteja a servir bem a humanidade. Isso aparece claro com o desenvolvimento da ficção da ilha dos náufragos.

A ficção mostra por meio do raciocínio aritmético como é o capitalismo, e isso levou-me outra ficção.

Vimos que, naquela ilha o dinheiro era o que menos falta fazia, era mesmo aberração.

O desafio em que me vou envolver, é considerar o dinheiro na nossa ilha grande, igualmente uma aberração.

A tal ponto vou considerar aberração, que a vejo como um tumor maligno que a sociedade humana global transporta como parasitas que a vão destruindo sem que esta tenha disso consciência, enquanto vai penando e infeliz. Os parasitas no entanto, prosperam na sociedade que sofre e definha sem ter consciência sequer, do mal de que padece.

O dinheiro é assim o vírus que combinado com o egoísmo e a maldade, alimenta o tumor sempre crescendo, tornado na gangrena que faz a ruína da sociedade humana.

Está incrustado na nossa mente, a grande importância que tem o dinheiro. Estará logo abaixo do ar e da água para as nossas vidas. Contudo, aqui vou mostrar que não passa de algo maquiavélico que escraviza o homem, sem que este se dê conta que podia nem existir que a nossa vida podia continuar e até com vantagens.

A verdade é que, não comemos, não vestimos, nem calçamos dinheiro tudo quanto sustenta as nossas vidas nos é dado pelo trabalho. Assim sendo, porque colocamos o dinheiro a valer mais que trabalho?

Não me limito a fazer uma inversão, valer mais o trabalho que o dinheiro, mas um exercício em que mostrarei que o dinheiro podia ser dispensado como é a razão de muitos males.

Se os seres humanos são extremamente imaginativos para com o uso do dinheiro dominarem, explorarem e humilharem outros seres humanos, porque não usar as mesmas capacidades para criar um mundo justo?

É esse o desafio que se segue: imaginar a sociedade global, onde o desejo de justiça no mundo, tenha no homem mais força do que tem o seu egoísmo e sua maldade e desse modo inverter o princípio injusto, valer mais o homem que mais a outros homem tira, para quanto mais a outros homens desse.

 

Todos bens do planeta pertencerem ao homem,

Nenhum outro ser faz disso contestação,

Por não saber que vai sendo deles despojado,

O homem os usar para fazer a outros exploração,

É que poder ser por outro homem questionado.

 

Quis Deus (para quem acredita que foi Ele que criou tudo) ou qualquer outro acontecimento evolutivo que colocou o homem em cima da terra, seja este que a domina. Ora isso dá ao ser humano uma responsabilidade que os outros seres não têm.

O ser humano é dono de tudo; nenhum outro reservou algo para si nem sequer direitos. Mas o ser humano também não é justo para com a sua própria espécie, porque nega o direito de a repartir igualmente por todos, o que, não pode deixar de ser questionável.

Não é usual por em causa a inteligência do homem, contudo, dou por vezes comigo a pensar se, o que o homem faz de maravilhoso não será completamente neutralizado pelo que mais diabólico também produzimos, de onde resulta a dúvida se somos mais inteligentes que os outros seres que, ao contrário do homem jamais destruirão o ambiente único onde a vida é possível. O ser humano destrói o mundo onde vive, mesmo quando reconhecemos os erros que cometemos.

Modificamos o mundo, revolvemos a terra para a adaptar às nossas necessidades, em paralelo com tudo isso, não somos capazes de a defender do mal que as nossas acções lhe provocam.

Temos prontos a usar, arsenais nucleares e químicos que podem destruir a terra várias vezes. Não somos capazes de ser justos nas relações uns com os outros. Males que a despeito da inteligência do ser humano, não somos capazes de evitar.

Ora o capitalismo como obra do homem, é uma das realizações que também se pode inserir naquelas que tornam duvidosa a nossa inteligência, tanto mais que, tem uma relação estreita com aquelas ameaças.

Com esta dúvida, se o homem é inteligente, e a certeza do seu poder destrutivo, faço aqui o exercício que é, como o homem poria fim a tantas crises o afligem, por ele próprio criadas.

 

Ligamos as nossas televisões em horas de notícias e ouvimos falar da crise, de trabalhadores e famílias em desespero, de leis iníquas, de credores, de dívidas de modo que contrasta com o optimismo mentiroso e perverso dos governantes que produzem a desorientação, o medo e a infelicidade. São os efeitos do capitalismo nas nossas vidas, mas os que mandam no mundo é assim querem que seja, porque com o dinheiro criam as injustiças que os beneficia contra a maioria da sociedade mundial.

Com a insónia reflicto e questiono o que observo no meu país e depois extrapolo para o mundo.

Importamos tanto do que precisamos para viver, e no entanto temos uma alarmante percentagem de trabalhadores no desemprego, ao mesmo tempo temos uma parte do território a mato, os mares sem poderem ser utilizadas as suas capacidades de pescar,trabalhadores à porta de fábricas fechadas querendo trabalhar, e tanta perda de recursos num país a empobrecer que nos dão a certeza que a inteligência do ser humano é muito inferior ao seu egoísmo e racionalidade. Tudo para que poucos possam explorar e dominar muitos.

O hábito de pensar, associado a angústia que o pensamento me provoca, faz-me reflectir até ao ponto de pensar o inimaginável. Mas se é pensamento, porque não escrever sobre isto, já que a escrita consente tudo e é também um excelente exercício mental?

E assim comecei a imaginar uma revolução que invertesse os paradigmas valer mais o homem, quanto mais a outros tira, para quanto mais a outros der.

Então decidi verter o pensamento para a escrita, e o meu pensamento não se detêm. Eu que nunca tinha sujeitado a mente ao exercício da escrita, me admiro como o meu próprio pensamento tomou conta de mim, já que, quando comecei a escrever, não era minha intenção pôr em causa a existência do dinheiro. Aconteceu enquanto desenvolvia a ficção da "ilha dos náufragos" que se lê no post anterior.

Nas minhas reflexões constato que, afinal nada do que é verdadeiramente essencial para vivermos nos é dado pelo dinheiro em si mesmo, pois ao nos sentarmos à mesa para o almoço, não são notas que estão no nosso prato, quando nos queremos vestir, não são notas que vestimos, também não calçamos notas, porque tudo nos é dado só pelo trabalho. Então vejo que a função básica do dinheiro, é permitir a acumulação de riqueza. O dinheiro tornou-se na matéria com a qual se provocam as desigualdades, tornado num jogo onde há jogadores mestres na batota que chegou ao ponto de o Estado em vez de ser a organização para o bem estar geral da sociedade, se ter tornado na organização para poucos extorquirem o seu semelhante. Assim, a maioria de nós perde, mas sofre do vício característico do jogador inveterado, na esperança de alguma vez ter sorte, sem saber que o jogo está viciado.

Viu-se que, na ilha dos náufragos o dinheiro não fazia qualquer falta àquelas vidas. Foi a partir desse pensamento que me veio a ideia: e se fosse assim também na nossa ilha grande?

Se naquela ilha os exploradores quisessem explorar sem a existência do dinheiro, explorando a 20%, no caso de serem sapatos por exemplo, significava que em cada cem sapatos produzidos, vinte seriam do capitalista como lucro para o seu investimento, e ele acabaria com tantos sapatos que não conseguiria consumir. A exploração era um paradoxo. Sem o dinheiro na nossa ilha grande, a riqueza atingiria proporções de montanhas para cujos possuidores nada lhes serviria tanta abundância, já que, a não conseguiam consumir. Deste modo, fica demonstrado que o dinheiro tem como função básica tornar possível a acumulação, e construir com leis maldosas os mecanismos com que é feita a exploração.

Porque somos vítimas da tirania dos que usam o dinheiro para submeter, roubar, dominar, explorar, e humilhar os que afinal são os que produzem os bens que sustentam as nossas vidas? A resposta está dentro das nossas próprias mentes moldadas desde a nossa ancestralidade e mantidas com comunicação para nos fazerem pensar que a exploração de uns homens por outros é uma coisa normal. Na verdade, colectivamente somos de uma fraqueza enorme em face dos malefícios postos aqui em evidência que o capitalismo explora magistralmente.

No mundo capitalista em crise, a solução é a esconder a empurrando para o futuro com o aumento do endividamento, futuro esse, que quando for presente será muito mais grave a situação. 

Assim, o endividamento inerente, ao capitalismo pode ser caracterizado como um tumor que cresce sempre sem parar. Resolver a crise corresponderá a colocar um penso sobre esse tumor que sempre crescendo, rebentará depois com muito mais violência. É assim o capitalismo.

Chegará uma altura em que a impossibilidade de pagar as dívidas surgirá e tudo cairá como um arranjo de pedras de dominó.

As discussões diárias nas televisões sobre a crise, não são mais que a procura da forma como a esconder, para que não se veja, enquanto ela se está sempre avolumando, num processo vai sempre acelerando.

Chegado aqui, nada impede de imaginar a solução global para a crise, alterando o paradigma, ser o desejo de justiça mais forte no homem que o seu egoísmo e em teoria mostrar que os cidadãos do mundo podiam transformar a crise capitalista e as que lhe estão associadas num pesadelo que acabou, assim a democracia funcionasse uma vez vistas as vantagens de uma civilização sem exploração.

Então como acabariam tantas crises com o fim do dinheiro?

Era a ideia se generalizar e a democracia produzir movimentos sociais ao ponto do paradigma do desejo de justiça prevalecer sobre o do egoísmo e a inerente exploração.

 

Se uma ideia destas pegasse, adivinha-se o efeito que produziria nos que mantêm as injustiças no mundo. Certamente os faria meditar no seu papel e como a coisa mais importante para eles: o dinheiro, afinal é falsa a falta que faz. 

Quais as vantagens de uma revolução com estas características? É que, o capitalismo está a levar o mundo para o desastre, o que é claramente visível. Os detentores do dinheiro a primeira coisa que fazem, é fazerem sair os capitais dos seus países, quando começam a admitir que pode haver uma revolução social. Com esse procedimento, usam os seus capitais para fazerem chantagem política, coisa que no nosso país há muito que o estão a fazer. Essa seria a forma de fazer com que eles ao fugirem com o dinheiro, levariam algo que não valeria nada, desde que tivessem perdido o poder.

Não há que ficar chocado. Como já aqui ficou demonstrado, o capitalismo é injusto e as fortunas são oriundas da exploração e da injustiça, quando não do crime. Isso está bem mostrado no exemplo imaginado, na ilha dos náufragos. 

Pensemos só no efeito sobre o flagelo que é, todo o género de crimes que ocorrem nas sociedades onde ter dignidade e importância, é ter dinheiro, onde tudo é feito para o obter. Ficariam completamente erradicados uma vez criada no mundo a sociedade globalizada sem dinheiro. 

Uma revolução destas, se fosse passível de se concretizar, ou mesmo só discutida com alguma relevância, como sendo possível, representaria esperança para muitos milhões de seres humanos desesperados com a vivência que o capitalismo impõe às suas vidas, alguns até mesmo em sociedades ditas prósperas a braços com penhoras, com dívidas, com a angústia do que vai ser o futuro dos seus filhos, no mundo onde imagens de miséria não envergonham os indivíduos do poder. Num mundo onde os seres humanos fossem iguais em direitos, não havia mais razões para fronteiras nem a manutenção de milhões de seres humanos nos seus redutos de miséria, porque todo o planeta pertenceria a todos e seria global e harmoniosamente desenvolvido em favor de todos sem deixar ninguém de fora do que lhe é devido. E mais coisas importantes. O homem não mais teria necessidade de andar afanosamente a enganar outros homens com a sua ganância a destruir o planeta, este já bastante ameaçado. Seriam usadas todas as capacidades para o preservar o como lugar único onde a vida é possível.

Uma sociedade onde não mais existisse desemprego, mas a obrigação de todos contribuírem para o bem de todos.

Seria o fim do drama dos cidadãos lutando pela sua dignidade, querendo contribuir com o seu trabalho para o desenvolvimento das seus vidas e dos seus países, mas rejeitados pelos capitalistas em dezenas de entrevistas, excluídos por não serem os melhores, como se os menos dotados não tivessem direito de viver e à felicidade, e de contribuir para o bem de todos, só porque o lucro de uns quantos, importa mais que a vida das pessoas.

Biliões vivendo em condições desumanas em todo o mundo, e todo o cortejo de situações injustas terminariam. Desenvolver-se-iam leis na base do princípio em que os bens do planeta são pertença de todos os seres humanos e são para o sustento das suas vidas de forma igual, que por sua vez dariam lugar ao princípio de todos contribuírem com o seu trabalho na medida das suas possibilidades.

Os bens da terra, ao serem geridos globalmente, o planeta seria mais facilmente preservado dos efeitos que o estão levando à destruição.

Sim, não há outra forma de haver justiça e igualdade, se os bens da terra não forem de todos. Não considerar isso justo é usurpação. Não à existência de normas que excluem muitos do seu direito à dignidade e á felicidade porque a de outros prevalecem.

O planeta, sendo património fundamental da humanidade, poderia ser gerido em comum, de modo que a procura do lucro, não contribuísse para a degradação acelerada das condições de vida nele existentes, que segundo alguns especialistas está sob ameaça, tendo capitalismo responsabilidades muito sérias.

A revolução, aqui imaginada não teria que ter greves, nem manifestações violentas, nem açambarcamentos. O desemprego daria lugar à obrigação de todos trabalharem para todos, na medida das suas possibilidades. A repressão que os senhores do capitalismo pretenderiam desencadear contra os mentores de uma tal revolução, seria muito difícil de levar a cabo, porque ela só seria possível com mudanças que ocorreria dentro das mentes de cada cidadão do mundo.

Uma tal sociedade também teria elites, mas não mais com base na riqueza. Não seriam as elites equivalentes aos senhores que hoje tem iates, automóveis de luxo e mansões, e que, ao possuírem tudo isso, sabemos que têm muito dinheiro, sem se saber muitas vezes como o adquiriram.

As elites, o seu prestígio e valor como cidadãos, seriam obtidas pelo contributo das suas acções para o bem-estar da humanidade e para o ambiente, de acordo com o que ele representa para os seres humanos e para o planeta, como casa onde todos vivemos. O prestígio e a importância do homem, não mais seriam resultantes de quanto mais se tira ao seu semelhante, mas na razão directa de quanto mais faria por ele. Não seria reconhecimento com dinheiro, porque esse já não existiria.

A importância do homem poderia ser atribuído em função do contributo para o bem-estar do ser humano na consecução das realizações nesse sentido, e seria esse mérito que daria lugar à riqueza legítima, que seria para os indivíduos o objectivo de realização pessoal, que no capitalismo o enriquecimento com a exploração.

O que tivesse valor que despertasse o desejo de possuir, seria conseguido por troca com as realizações humanas sempre no sentido do progresso social e material sem deixar ninguém de fora. Os bens que hoje são cobiçados que só os tem quem tem fortuna, seriam atribuídos em função de outros valores. Valores que trouxessem justiça e bem estar ao seu semelhante, e não o contrário como acontece  com o capitalismo.

Se imaginaria um sistema financeiro que tivesse como base o inverso do que faz a civilização do dinheiro, que não permitisse a acumulação para além do que o ser humano pode consumir, que não permitisse que o valor do homem e sua riqueza sejam conseguidos através do logro e da mentira que resultam das relações capitalistas injustas entre seres humanos, só permitidas pela existência nefasta do dinheiro. Que ninguém fosse privado do que lhe é devido para a sua vida e dignidade, enquanto alguns possuem milhões de vezes mais o que precisam.

Um mundo justo não teriam que privatizar e privar os seres, nomeadamente os humanos, dos bens que são essenciais à sua vida, onde até o  sol, o ar e a água essenciais à vida o capitalismo privatiza assim o consigam fazer. 

Qualquer poder que usasse as necessidades básicas para explorar outro homem, seria considerado um atentado contra o bem-estar e uma agressão a outro ser humano.

Contudo, como nem todos poderiam ter o que é comum almejar com riqueza, se criaria um sistema financeiro, mas que esse não fosse baseado em quanto mais um homem tira, a outro homem. Sistema que impulsionaria os homens para o desenvolvimento científico, à semelhança do que o lucro faz no capitalismo.

Dirão que não será possível criar um sistema financeiro que inverta o paradigma, ter mais importância o que mais tira ao seu semelhante para quanto mais lhe desse. É uma questão de imaginação, o modo de o fazer. Se o homem é extremamente imaginativo e maquiavélico para explorar, subjugar e perseguir o seu semelhante e com isso consome tantas energias que só são úteis para manter as desigualdades, porque não ser imaginativo para criar um sistema justo, com a participação global de todos os seres humanos comunicando entre si? 

Era imaginar um sistema financeiro em que a riqueza legítima seria a que contribuísse para o bem estar e desenvolvimento em todas as esferas da sociedade humana global, a todos os níveis. O deve e haver seriam obtidos pelas acções, conforme se provocasse o bem ou o mal, no desenvolvimento do progresso humano. Tudo aquilo quanto se almejasse possuir, que nem todos pudessem, seria pago com um saldo positivo registado, e desse modo todo o género de bens valiosos e sonhos que não se poderiam estender a todos de forma igual, seriam pagos com esse produto financeiro não baseado em dinheiro, mas em acções em favor do bem-estar da espécie humana.

Para quem pergunte como? Fica já aqui esboçado um exemplo.

O número de contribuinte que o sistema de exploração utiliza para controlar e perseguir os cidadãos nas suas vidas, atrás de impostos e nas relações de toda ordem no Estado e não só, podia servir para nele registar a conta pessoal que aumentasse de acordo com a importância do contributo para o desenvolvimento humano nas múltiplas esferas de actividade.  É uma ideia, esse número atribuído a todos os cidadãos, poder ser usado numa sociedade sem dinheiro, numa espécie de deve e haver, em que o capital teria uma relação directa com o que mais daria ao nosso semelhante, em vez de quanto mais lhe tira como faz o capitalismo.

A riqueza legítima seria a que resultaria do bem que se faria, no que diz respeito ao desenvolvimento e progresso social e material e dedicação às causas humanas a todos os níveis que iria sendo registado nesse número. Tudo aquilo que o ser humano almejasse possuir que nem todos pudessem, seria pago com esse saldo positivo registado, e desse modo todo o género de bens valiosos e sonhos que não se poderiam estender a todos de forma igual, seriam pagos com esse produto financeiro não baseado em dinheiro, mas em acções em favor do bem-estar da humanidade, que serviria para entre os homens se estabelecer a concorrência entre humanos que substituiria o que é a procura do lucro na sociedade capitalista como forma de produzir o progresso.

Aí temos um sistema financeiro susceptível de aperfeiçoamento, não baseado em quanto mais uns cidadãos tiram a outros, mas, em quanto mais lhe dariam. Seria complicado, decerto que sim. Mas não tanto quanto são as maningâncias de toda a ordem que o capitalismo usa hoje para nos nos explorar e controlar, em que o número de contribuinte é usado, com o qual o Estado e não só, nos perseguem atrás de impostos e exploração.

Não seria possível noutra época imaginar uma tal sociedade assim descrita, mas para a sociedade da informação dos nossos dias, seria uma simples brincadeira.

Todos os incentivos para o desenvolvimento que no capitalismo é o lucro, não existiriam mais. Seriam obtidos pela procura do bem da humanidade, no seu todo, e à escala global. A imaginação seria o limite, e poderiam ter o contributo dos cidadãos através das redes sociais, que formariam opiniões na sociedade onde uma verdadeira igualdade daria origem a parlamentos que discutiriam de facto o interesse da sociedade e não as lutas em que, uns homens nada mais fazem que enganar outros homens.

Numa economia sem dinheiro, os temas a debater teriam um carácter diferente certamente, incidindo sobre os problemas do ambiente e como desenvolver o progresso das sociedades com essa nova característica, assim como as soluções para os problemas deixados pelo capitalismo, nomeadamente as desigualdades entre os seres humanos, onde nem teriam que haver fronteiras entre nações. As Nações Unidas poderiam ter o poder efectivo de defender o planeta já que, vêm de todos os pontos do mundo o mal que o vai degradando e arruinando a qualidade de vida, fazendo a angústia dos cidadãos perante a impotência de nada poderem fazer, vendo a destruição do planeta, local único onde o ser humano pode viver.

Um governo planetário seria possível, onde lá se representariam os cidadãos do mundo, no que seria nele a produção e distribuição.

Uma tal sociedade, teria certamente a sua complexidade, mas libertaria biliões de seres humanos, que exercem funções de manutenção e gestão do capitalismo, das desigualdades, das barreiras, das injustiças e da guerra inerentes ao capitalismo. Libertaria biliões de homens que podiam exercer outras funções ao serviço do seu bem-estar  sem deixar ninguém de fora, quer regional quer globalmente. Libertaria tantos recursos humanos e potencialidades que são usadas na manutenção das injustiças e da guerra, que permitiria certamente a redução dos períodos de trabalho assim como formas mais justas de produzir e distribuir. Seria numa frase: o equivalente à ilha dos náufragos em capitalismo comparada com esta ser uma comunidade onde todos trabalhassem para o bem de todos.

As sumidades que povoam os nossos ecrãs dizem que não é possível sustentar o estado social. Podemos ver como a ideia aqui apresentada, posta em prática, libertaria biliões de homens que  o capitalismo tem para se gerir a si próprio, mais a manutenção das injustiças e desigualdades barreiras e fronteiras. Esses recursos libertados para a produção e bem-estar, podiam obviar esse problema, se não mesmo o resolver completamente. O envelhecimento da sociedade deixaria de ser o drama agudo que essas sumidades antevêem para o futuro, se admitindo mesmo que o tempo trabalho pudesse ser reduzido para todos os seres humanos. 

Para quem argumente que é o capitalismo que impulsiona o progresso, nada é mais falso. É só pensar na espionagem industrial, como as sociedades capitalistas se atropelam para esconderem e obterem segredos para os transformarem em lucro, numa luta onde o ser humano, se bem que, beneficia desse progresso, não é contudo o objecto principal, porque esse é o lucro.

Sendo verdade que a procura do lucro impulsiona o desenvolvimento, também provoca o efeito contrário. Se assim não fosse, as conquistas tecnológicas não seriam sonegadas, antes seriam divulgadas, para que todos os seres humanos pudessem participar no seu desenvolvimento, para que esse fosse abrangente e até, porque não, mais rápido.

Claro que uma revolução destas só admite possível com os meios de comunicação global que existem hoje.

O que é exposto, não passa de uma ideia, sonho ou delírio de quem a escreve, e será absurda para quem nunca pensou, não leu, não ouviu coisa do género eu pelo menos que escrevo nunca. Contudo, pensando nela com a mente aberta, podemos admitir que se o capitalismo não tivesse sido implantado, e alguém ponderasse agora optar entre a sociedade aqui proposta, e o capitalismo, este seria muito mais absurdo. Foi pensado para substituir de modo eficaz a civilização que tem a sua razão básica de existir, permitir a acumulação de riqueza para além daquela que um ser humano pode consumir para sustentar a sua vida, o fazendo à custa da desigualdade que provoca, que consome recursos humanos na sua gestão e restringe a liberdade a muitos milhões de seres humanos, para uma minoria a ter toda, ter o poder de dominar e humilhar. Sem a existência do dinheiro não seria possível.

O que aqui é proposto, não é mais que um exercício mental que pode parecer absurdo, mas se, se pensar nele com a mente aberta, é mais absurda a insensatez dos que governam o mundo capitalista.

Isto não passa de um exercício, pode quem tem riqueza ficar descansado. No ser humano é muito mais forte o egoísmo, que o desejo de justiça, além de que, não existe nas sociedades vistas à escala global, a noção de família, nem que o planeta é a nossa casa comum. Por outro lado, o ser humano embora a esmagadora maioria seja humilhada por uma minoria que a espezinha, não quer ver coarctada a possibilidade de passar para a posição dos que humilham.

 

Alfredo Poeta

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por opoetamaldito às 20:52

Terça-feira, 07.07.15

A ilha dos náufragos. Génese do capitalismo

 

 

 

 

 

A ILHA DOS NÁUFRAGOS

Desenvolvo aqui uma ficção que tem por fim mostrar a génese do capitalismo, e se compreender como funciona a exploração e a crise capitalista.

Inspirei-me nas aventuras marítimas de quando os homens na procura de novos mundos viviam as mais inesperadas situções. Para mostrar a génese do capitalismo construo uma sociedade muito pequena organizada esta nos moldes capitalista para tornar claro como funciona o capitalismo, como é injusto e porque existe a crise.

A ficção é um relato imaginado de um naufrágio junto de uma ilha desabitada onde uma frota de barcos se afundou, tendo os viajantes e tripulantes se salvado com os seus haveres. Então, esses passageiros impedidos de continuarem a sua viagem, tiveram que fazer as suas vidas nessa ilha, obviamente os únicos habitantes.

Interrompida a viagem, os passageiros com as suas economias fizeram a cobiça dos capitães de cada um dos navios afundados. Estes capitães pensaram num processo de assaltar os passageiros aos poucos, tendo para isso arregimentado uns quantos náufragos para empunharem armas que também se salvaram do naufrágio e dão ordens: <a ilha é nossa propriedade, não gostamos aqui do princípio de propriedade social>. Logo, todos trabalharão para nós, em troca receberão um salário. (quem gostar de ler histórias marítimas verá que a tirania dos que comandavam, não era ficção, como não eram as divisões, rebeliões, motins e até o abandono de marinheiros rebeldes em ilhas, para lá morrerem)

Desse modo estabeleceram na ilha uma pequena sociedade capitalista. O dinheiro para fazer esta sociedade funcionar, era o que cada cidadão tinha consigo para fazerem as suas vidas noutro continente, mas que e o naufrágio não permitiu.

E os capitães; três em número; um cria uma fábrica para fazer os sapatos para consumir na ilha, outro para o vestuário, e o terceiro para produtos agrícolas para a alimentação. 

Tudo o que era produzido naquela ilha, era feito por aqueles náufragos que foram impedidos de chegar aos seus destinos. Enganados pela propaganda dos seus capitães, estes lhes diziam que aquela era a forma de sociedade que interessava a toda a gente.

Assim, o que se produzia naquela ilha era para deixar lucro aos seus donos, enquanto os consumidores eram os assalariados que compravam os produtos para sustentarem as suas vidas, deixando com isso lucro para os seus patrões. Desse modo iam ficando sem as suas economias ao comprarem o que eles próprios fabricavam com o seu trabalho, porque, devido ao lucro do capitalista, os que compravam os bens para sustentarem as suas vidas os ia fazendo ficar com cada vez menos dinheiro, até este acabar.

Assim, à medida que àqueles trabalhadores se lhes ia acabando o dinheiro, iam ficando a mais naquela ilha e sem se poderem sustentar, porque já não tinham nada para lhe ser tirado, enquanto os capitães capitalistas iam ficando com as economias daqueles náufragos, ao mesmo tempo que diminuíam os que podiam comprar os produtos produzidos.

Esta ficção mostra, o princípio da exploração capitalista. Vemos como o capitalismo não podia funcionar naquela sociedade, devido ao lucro. A ficção mostra como de forma criminosa os bens da ilha não eram para a sobrevivência daqueles habitantes, mas para estes serem assaltados aos poucos usando a ignorância que o capitalismo não pode ser justo ou não pode mesmo funcionar.

De facto o capitalismo não tem como princípio se investir porque as pessoas precisam de coisas para as suas vidas, mas porque os investidores querem ganhar dinheiro. Sendo certo que, mesmo em capitaismo é possível a sociedade ser harmoniosa, dpendendo isso do poder que a regula. 

Esta pequena ilha imaginada com a sua pequena sociedade capitalista, não podia funcionar, nem seria aceite mesmo pelas pessoas mais ingénuas que se possa imaginar. Contudo, é exactamente a sociedade capitalista em que vivemos, só que, numa ilha muito maior.

É assim mostrado o defeito do capitalismo, pois não é por a nossa ilha ser grande que a aritmética não funciona de modo igual.

Com a globalização, o nosso planeta é igualmente uma ilha onde os efeitos que a pequena ilha mostrou, se começam a fazer sentir na nossa ilha grande.

Naquela ilha, as economias que os capitalistas iam espoliando, se iam concentrando nos três capitalistas, enquanto os que produziam os bens com o seu trabalho, iam sendo despojados até ao ponto de nada possuírem para sustentarem as suas vidas, porque o princípio puro do capitalismo é para dar lucro, não podendo as necessidade e os desejos das pessoas pôr em causa os que têm aquele designo. Para isso o Estado capitalista faz leis apropriadas.  

Visto o que acontece na pequena ilha da ficção, com a sua pequena sociedade, extrapolando esse efeito para o planeta terra que também é uma ilha, se explica a exploração e a crise capitalista em que o mundo vive. É assim que muitos de nós vamos ficando sem trabalho por irem diminuindo também os que têm possibilidade de comprar os produtos produzidos, porque a riqueza se acumulou empobrecendo e tirando a capacidade de comprar e mesmo de sustentarem as suas vidas.

Na ilha podemos ver facilmente que é tudo resultado da ilha pertencer aos que queriam a sua posse para explorar aqueles habitantes, ou seja, para os assaltar aos poucos. Também se vê que, quanto maior for a exploração, mais depressa aquela sociedade deixa de funcionar. Outra coisa que salta também à vista, é que, tudo se deve a que, a ilha sendo privada, privava de direitos os habitantes que nada possuíam. É por isso que o capitalismo ao privatizar, priva a maioria de direitos para ficarem dependentes dos que querem dominar e explorar, porque a propriedade quando é pública (social) ela é pertença de todos mesmo dos que por falta de cultura política pensam que não possuem nada. Isso é facilmente comprovado quando se vê que, quanto mais privatizam os bens para resolverem a crise capitalista, mais a agravam e mais excluídos e dependentes ficam os que não têm nada, dos que têm. Para isto ser assim o Estado capitalista (o dos três capitães) institui um poder e leis em que a propriedade é sempre preponderante em relação às necessidades das pessoas, porque estas ficam sempre preteridas em relação ao lucro, tal como a ficção mostra com o mais simples raciocínio aritmético.

Então para o capitalismo poder funcionar na nossa ilha grande a riqueza acumulada tem que voltar aos explorados, (o que não é mostrado no exemplo da ilha), que acontece na forma de empréstimos, só que, isso vai dar lugar a um outro mal que se chama endividamento e aqui ocorre mais exploração onde o tempo de empréstimo é de novo exploração sendo esse o papel dos bancos em geral gerindo as fortunas que foram acumuladas com a exploração permitida pela sistema. É deste modo que a exploração tende a entrar em espiral com o endividamento e mais exploração com os juros, num círculo que não pode parar, tal qual o negócio da Dona Branca levado à escala global. Não sendo possível parar de crescer para o sistema se sustentar este facto só por si nos faz meditar. Sendo o planeta redondo não pode crescer indefinidamente, porque não tem nem dimensões nem riqueza ilimitada, daí a globalização também ter que ser tida em conta quando se fala em capitalismo. Por isso a comparação com uma ilha, é muito apropriada para se compreender a crise capitalista.

Em conclusão, para o capitalismo funcionar com a riqueza em cada vez menos indivíduos, estes têm que a emprestar fazendo com que o bem-estar seja feito à custa do que não temos, numa relação directa tempo dinheiro, sempre alargando o endividamento a entidades que têm cada vez mais, mas disseminado pela sociedade através do sistema bancário. Enquanto houver confiança, o sistema funciona, mas sempre à custa do alargamento do endividamento. É por isso que Portugal está passando. Se nunca faltar quem nos empreste dinheiro, vamos vivendo com empréstimos, mas sempre alargando o endividamento, constituindo uma sangria em juros que arruínam as nações e comandando nestas os que governam. Como o capitalismo consegue o artifício de comandar o poder, este faz tudo em favor dos que concentram a riqueza, já à escala  planetária, sempre sugando mais com juros, fazendo mais e mais pobreza. É o círculo vicioso em que se caiu a que se chama crise. Sendo que, em democracia é sustentado pela estupidez dos que votam, porque escolhemos os que se colocam sempre do lado dos que mais têm mais em detrimento dos que têm menos, violando o princípio democrático da distribuição da riqueza. Tudo isto globalmente considerado e indiferente a fronteiras. É o capitalismo como o observamos e lhe sentimos os efeitos.   

Voltando à ilha dos náufragos, vimos que o capitalismo era um ardil para explorar aqueles habitantes em que, no processo era usado o dinheiro. E aqui damos com um facto no qual devemos meditar. Qual é a verdadeira função do dinheiro? Ora, se os capitalistas quisessem explorar sem a existência do dinheiro, imaginemos a 20%, cada produto que se produzia, de 100 unidades 20 seriam para o capitalista. A exploração não teria qualquer significado, porque jamais os capitalistas conseguiriam consumir o que acumulavam. Na nossa ilha grande, o que resultaria da exploração se não houvesse o dinheiro, era a riqueza acumulada atingir a dimensão de montanhas maiores que o Evarest. E aqui vimos outra coisa, que é a razão principal para a existência do dinheiro, é servir para com ele se acumular riqueza. Sem o dinheiro tal não era possível, nem teria significado porque o possuidor não a podia consumir.

Chegado a este ponto, não mais dou conta do meu próprio raciocínio e não me contenho sem levar o meu pensamento para outra ficção, inspirada na ilha dos náufragos, mas aplicada à nossa ilha grande.

Eu sei que é uma grande ousadia pôr em causa o que é considerado uma das maiores criações do homem: o dinheiro!  Só que, apesar disso vou usar a lógica e o pensamento para o pôr em causa, considerando a invenção maquiavélica com a qual uns homens dominam, exploram e humilham outros homens, e tantos outros males que afectam as nossas vidas. O raciocínio da ilha dos náufragos, levou-me a imaginar um mundo em que a civilização não fosse na base do dinheiro mas da solidariedade globalizada em que à semelhança da ilha, funcionaria melhor que o capitalismo e como seria diferente e quiçá, muito mais vantajosa se a civilização e a economia fossem feitas noutra base.

 

Veja o post seguinte

 

 

 

 

Como exploração é labiríntica,

Eu estendo fios condutores,

Para que no meio da confusão,

Possa chegar aos seus autores.

 

Poeta Maldito

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por opoetamaldito às 20:43

Quinta-feira, 29.01.15

Conflito do querer com poder

 

A Grécia virou à esquerda e ficou com isso mais a nu uma realidade escondida de tanta gente que, agora talvez possa ser mais claro o que têm feito aos povos europeus, em que, os portugueses depois da Grécia são das maiores vítimas.

Anda por aí gente a dizer que a Grécia tem que pagar as suas dívidas. Sim, manda a honra que as dívidas são para serem pagas, só que há um conflito entre o dever com o possível. Tal como nas nossas vidas, quando nos tiraram os proventos que tornavam possível pagar, (imaginem a nossa casa por exemplo), já não o podemos fazer.

Assim pergunta-se, como paga a Grécia as suas dívidas se aquela sociedade vive um drama social para o qual foi empurrada?

Porque está a Grécia assim? Foi porque a Europa impôs àquela sociedade o empobrecimento, o esbanjamento dos bens sociais em favor das oligarquias, o desemprego, a precariedade, tudo pela mão dos governantes feitos agentes dos credores e inimigos do povo grego. De resto o mesmo esquema é aplicado a Portugal. Dívidas contraídas a partir destes factos é muito duvidoso que sejam legítimas e o capitalismo pela batuta da Alemanha está sendo vítima dos seus erros, ou da sua maldade e não devem atirar as consequências para cima dos cidadãos.

O capitalismo prefere com os seus capitais alimentar a miséria dos gregos até estes morrem certamente, em vez de os ajudarem a utilizar os seus recursos para se erguerem.

A Portugal está sendo submetido à mesma política: vemos como o povo foi espoliado dos seus recursos. A tríade elites do poder, banqueiros e financeiros, mais os mentores capitalistas europeus, assaltaram os portugueses usando o sistema bancário e depois lançaram-nos impostos para pagar, enquanto os ladrões com as suas fortunas adquiridas dessa forma, a maioria deles não são sequer incomodados. Resultando; na prática é preciso dinheiro vindo dos mercados para o funcionamento do Estado que para todos os efeitos deve ser considerado que é para protecção da riqueza ilegítima conseguida com o assalto aos bancos corruptos. Conclui-se assim, que a dívida não é para resolver o problema da sociedade portuguesa, mas para segurar as fortuna dos que roubaram. Isto é em Portugal, na Grécia é certamente muito pior.

Descrita esta realidade que só não vê quem não quer ver, muita da dívida é a chamada dívida odiosa que não sendo legítima não deve ser paga. Que culpa teve o povo, para ter que pagar o que esses ladrões levaram, que possuem fortunas adquiridas por essa via intocadas e o povo a pagar as perdas?

A Europa é conivente com estas injustiças a que a Grécia diz agora não. Se a Europa é conivente com o assalto aos cidadãos porque está do lados usurpadores, são estes os culpados e se há quem vai perder que sejam esses, até porque, é inútil querem que pague quem não tem para o fazer. Cá está o conflito do querer com o poder.



Conceito de dívida odiosa segundo a wikipédia:

À luz da lei internacional, dívida odiosa é uma teoria legal que sustenta que a dívida nacional incorrida por um regime político, com propósitos que não servem os interesses de uma nação, não deve ser compulsória. Portanto, segundo esta doutrina tais dívidas são consideradas como dívidas pessoais de um regime que nelas incorreu e não dívidas do estado. Em alguns aspectos, este conceito é análogo à invalidez de um contrato assinado sob coerção.



 

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por opoetamaldito às 15:18

Quinta-feira, 25.12.14

Fizeram do meu país um negócio tipo Dona Branca

 

A Dona Branca

Quem se lembra do furor que foram os investimentos na Dona Branca?

Tantos foram os espertos que acorreram a esta banqueira para fazerem render as suas economias.

Banqueira que pagava juros 4 a 5 vezes mais altos que os oficiais, praticados pelos bancos.

O dinheiro que lhes entregavam não podia fazer render os juros que pagava, devido a que tinham que ser também 4 a 5 vezes superior aos que eram praticados pelos bancos. Assim, este sistema só podia funcionar com depósitos sempre crescendo para ser possível pagar os juros e os os capitais que iam vencendo.

Não fosse a comunicação ter caído em cima daquele negócio a alertar que as pessoas corriam risco de perderem o dinheiro e teria continuado por mais algum tempo, sempre apanhando cada vez mais tansos.

Porquê lembrar a banqueira do povo?

É que, os nossos políticos envolveram o nosso país num sistema que tem uma grande semelhança com o negócio da Dona Branca.

Tal como a outra, esta Dona Branca não pôde fazer render o dinheiro para pagar o que lhe entregaram, mais os juros, a continuação do negócio era possível com novas remessas de dinheiro sempre a crescerem até aparecer a dúvida sobre o negócio. Na outra D. Branca, foram as notícias que aquele negócio ia fazer os tansos ficarem sem o seu dinheiro, no Estado português são as agências de rating que lançam a dúvida.

O país não conseguindo fazer render para pagar a quem lhe empresta, a consequência é terem que entrar novas remessas para pagar, alargando o endividamento e empurrando as consequências sempre agravadas para o futuro. Se tivermos quem nos empreste sempre dinheiro, esta Dona Branca funciona, mas tal como a outra não foi sustentável, esta também não vai ser. É a aritmética aqui a nos dizer, é só fazer contas e ver o que o tempo nos vai trazer. Tanto mais que, o descalabro e a miséria à vista e sentida, vai despovoando o pais dos seus melhores.

Para esta Dona Branca ser sustentável, teria que produzir para pagar pelos menos os juros de uma dívida que já é descomunal. Assim, quando vencerem o que eles chamam as maturidades, temos que pedir dinheiro para pagar aos credores, só que, é cada vez maior o montante, já que, são adicionados os juros, isto num país que não produz para se sustentar.

Há no entanto uma diferença fundamental na comparação com o negócio da Dona Branca: é que, os depositantes daquela, não tinham poder e perderam as suas economias sem apelo nem agravo, e a banqueira foi tratada como criminosa.

Esta Dona Branca em que tornaram o país, funciona também com a mesma lógica matemática, não é igualmente sustentável, não produz para devolver aos credores, mas os que nela investem e com poder, comandam os gestores do seu dinheiro. Aqui damos com um facto: não há político apoiando este sistema e apanhado por ele, que faça o milagre de contrariar os números, porque estes são a realidade e é depois contra esta, que entra política, sendo que, esta já é feita de mentira com a qual negam a ratoeira que armaram, na qual o país foi apanhado.

Desta descrição ao alcance de qualquer pensante, resulta eu dizer que não me oriento por fé em homens políticos ou ideologias, quando falo ou escrevo sobre política, mas pelo que a aritmética me mostra. Dizer isto é para quem aqui porventura me ler o que escrevo, não pensar que estou ao serviço de qualquer partido. Apenas denuncio o que é a exploração e como ela é levada a cabo. Não quero ser passivo quanto a estas questões e é um passatempo do qual gosto, por entender que se damos sempre o poder a quem nos trata tão mal, é porque não sabemos como nos enganam.

Deste modo não sendo economista, longe disso, uso a lógica e a aritmética para fazer o meu pensamento político e como vejo o que nos está a acontecer e quem são os responsáveis.

Os políticos imbecis que gerem esta Dona Branca, resolvendo os problemas sempre no presente os agravando e os empurrando para o futuro com dívida que não podemos pagar, para eles, desde que no momento tenham dinheiro, não lhes importa o que virá, e exultam (ou mentem) com o sucesso dizendo que, já não estamos na bancarrota. O único consolo que resulta de uma situação destas é que todos os países funcionam também assim, uns mais, outros menos, até ao estoiro global, ou os que concentram a riqueza no mundo, mas a disseminada pelos endividados, não a possam receber e a perderem como aconteceu com os depositantes da outra Dona Branca.

O que faz a nossa Dona Branca em desespero e acossada pelos que cá colocam os seus capitais?

Tal como a outra, a ética e a moral são baixas e sempre se orientam, segundo uma metáfora, que, quem lida com o mel sempre lambe os dedos, (diga-se corrupção) por isso, eles gostam tanto do poder, mas estes gulosos lambedores de dedos, têm todo esse mel que alimenta bem uns quantos, mas é sobre uma maioria de tolos que este país tem, que é descarregado o fardo de tão desgraçado negócio, pois esta Dona Branca imbecil e injusta, não trata a sua família de modo igual, nem usa a totalidade dos seus recursos, nomeadamente os humanos. Estrategicamente tem 15% de desempregados para que estes desejem vender a sua força de trabalho por qualquer preço e sem direitos para sobreviverem. Tudo em favor de uma minoria que sustenta ideologicamente e no seu interesse o negócio. Ao mesmo tempo, esta imbecil gestão tem pescas, mares e terrenos subaproveitados, enquanto importa metade do que a família precisa para viver, porque esta Dona Branca não gosta dos membros da sua família de modo igual.

 

Não sou por ideologias empurrado,

Só quero denunciar a exploração,

E mostrar como o meu país tramado

Pelo dito arco da arco da governação!

 

Poeta Maldito

 

 

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por opoetamaldito às 13:29

Domingo, 31.08.14

O político manhoso

O político manhoso

 

Foram quinze dias de campanha,

A prometer-nos leite e mel,

Tarde lhe descobrimos a manha,

Serve-nos agora doses de fel.

 

Nas feiras ele punha um boné,

A ninguém negava um abraço,

Com tansos tomava copos até.

De todos ele era amigalhaço.

 

Com duas caras nos dizia amar,

Com uma conquistou o poder,

A outra usou para nos tramar

Aquela com que o está a exercer.

 

Comportamento de salafrário,

Tão amigo do povo que dizia ser,

Enganou-nos fez o contrário,

É o traiçoeiro que nos faz sofrer.

 

Poeta Maldito   

 

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por opoetamaldito às 13:58

Domingo, 31.08.14

O saudosismo de Salazar

Nostalgia do fascismo

 

48 anos de fascismo, forçosamente tinham que deixar um efeito cultural poderoso que gera em alguns uma enorme nostalgia e talvez desejo de ver perseguir de novo pessoas que manifestam ideais de justiça.

Estas pessoas, ou não estão ainda satisfeitas com o mal que está sendo feito aos portugueses e querem ainda mais, ou são incapazes de ver que são gente desse regime que lhes provoca a nostalgia que estão no poder. Ninguém tenha dúvidas que, aquando da revolução de Abril, os que apoiaram esse saudoso (para alguns) regime, eles não se esfumaram. Eles formaram os partidos que nos têm governado.

O capitalismo não gosta de democracia e há sempre quem se presta a enganar um grande número de pessoas que não gostam de política ou não querem pensar. São os que não vêem que somos governados pelos que brotaram do regime anterior, só que, em moldes diferentes, mas igualmente provocam o medo e a submissão. Não temos ainda a repressão física e a censura instituídas, temos métodos mais ardilosos e mais nefastos para produzir os mesmos efeitos ou piores. Ou seja, não praticam a repressão física, mas praticam a psicológica de forma generalizada. Quem não tem medo dos impostos? Quem não tem medo das leis feitas para perseguir e precarizar os mais fracos? Quem não tem medo desta entidade chamada Estado que serve só uns quantos contra a grande maioria que vai sendo cada vez mais perseguida? Quem não tem medo da banca rota? Quem não tem medo de perder o emprego? Quem não tem medo de não o conseguir? Quem não tem medo do que vai ser o futuro dos seus filhos e do país? Quem não tem medo da moeda única que manietou este povo etc etc? A censura, essa, é feita por uma chusma de comentadores em dezenas de palestras televisivas que produzem o mesmo efeito: o de lavar o cérebro aos portugueses e esconderem a incompetência que está bem à vista olhando para o estado a que conduziram o país. Tudo para beneficiar a casta de monopolistas, financeiros banqueiros, mormente os internacionais, num país que agora sem colónias, com esta gente no poder, ficou ele próprio colonizado.

Este é o novo fascismo trazido pelos herdeiros do regime anterior, consentido ou incentivado pela Europa.

Aparecerem indivíduos com nostalgia pelo antigamente, ou são cegos que não vêem que é a mesma gente, são ingénuos, ou ainda não estão satisfeitos, talvez querendo que a este triste quadro se junte a repressão física que ainda não existe, felizmente.

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por opoetamaldito às 12:07

Domingo, 24.08.14

A política vista pela aritmética.

 

De versos e prosa escrevi este texto,

Nos dois estilos ambos são protesto

Atenção que entre eles não há contexto.

 

Inconformado com o evoluir do mundo, ando por aqui manifestando como vejo o mal que o ser humano faz à sua própria espécie. Claro que, com o que aqui escrevo tenho a certeza que aborrecerei alguém. Mas que querem, se é enorme a compulsão para escrever sobre o que sinto, devido ao que ouço e vejo.

Para os que pensarem que sou empurrado por alguma ideologia partidária, digo: não é o caso. Ninguém, seja de que partido for sabe quem sou, e é assim que faço questão de andar por aqui.

Porque quero andar assim, com os meus pontos de vista? A razão é simples: todos os partidos nos prometem o céu na terra, mas depois o que nos servem é a mentira e a desonestidade para fazerem o contrário.

 

Um paradigma eu gostaria poder inverter,

O de estar o valor do lucro matando o homem,

Para o de ter o homem mais valor que o lucro,

Para em vez do homem, seja o lucro a morrer.

 

Empolgam-me as questões políticas e sociais e não credito que não haja gente honesta, mas os que temos tido destruíram completamente a minha inocência e a minha crença na honestidade dos políticos, sobretudo nos que têm governado. Inicialmente eu acreditava em tanto bem falante, mas foi coisa que pouco durou. Tudo o que era crença e simpatia em mim desbarataram e hoje vejo neles a mentira como a sua arma política número um, chegando ao ponto de serem mais verdadeiros se tomar-mos como verdade o contrário do que afirmam. Acrescento ainda que, com esta gente no poder esse comportamento se estende à comunicação que predominantemente é em seu favor trabalha.

 Assim criaram-me o problema que me atormenta: estar convencido que só com honestidade se resolvem as questões da sociedade e do mundo, mas onde estão os honestos?

Ver tantos políticos e comunicadores bem falantes não passarem de trapaceiros e as nossas vidas e esperanças a ficarem um desastres é um facto que me cria um enorme espaço e vontade para escrever coisas.

Chegado aqui, como vejo eu o poder no meu país e também no mundo? Sim, no mundo, porque tudo está dependente das directrizes emanadas dos poderosos meios financeiros que dominam as nações.

Sendo modesto e desconhecido não me sinto por isso restringido de ter pensamento político, mas este sem enfeudamento a partidos. Faço o meu pensamento com o que me é dado observar, olhando para o que qualquer pessoa pode ver também. Faço o meu raciocínio usando a aritmética em vez do que dizem os partidos, porque já se viu que não vale absolutamente nada e a competência dos que têm governado se resume à sua habilidade em enganar.

 

Meu país é dominado pela falsidade,

Tomado pelos que sabem bem falar,

Não importa que lhes falte a honestidade,

Compensam com o seu poder de enganar.

 

Historicamente o ser humano evoluiu na melhoria das relações com os seus iguais, se assim não fosse ainda se viveria em escravatura, mas a evolução não é contínua nem generalizada nem sem recuos. Há na consciência humana duas forças que se opõem, a que eu chamo EGOÍSMO e outra que chamo DESEJO DE JUSTIÇA, sendo que, o egoísmo é poderoso e é o que nos domina e governa o mundo. O desejo de justiça tem um poder incomparavelmente menor, mas, alguma coisa sempre tem feito, por isso tem havido progresso humano.

Para vermos de forma prática que é assim, façemos um exercício que mostra como o egoísmo é dominante na sociedade e jamais o desejo de justiça a que se pode dar também o nome de solidariedade.

 

O poder dos egoístas de Portugal,

Impõem aos seus governos de afeição,

Façam como queiram um país igual.

Mexerem nas nossas fortunas, isso não.

 

Partamos de um facto que todos nós podemos observar. Imagine alguém a precisa de ser financiado e um agiota querendo emprestar dinheiro, pois ele quer com ele ganhar mais. Claro que o agiota deseja que haja gente que precise, para ele fazer o seu negócio e quanto mais, melhor para ele. Os aflitos que precisam de dinheiro emprestado têm que se esfarrapar todos para cumprirem, sob pena de ser muito pior, pois o agiota só empresta com garantias e não quer mais nada que o seu dinheiro de volta acompanhado dos juros, das pessoas não lhe importa.

Isto assim descrito é o capitalismo funcionando sem grande pecado mesmo tendo o usurário as leis e o poder em seu favor.

Os aflitos que precisaram de dinheiro têm que organizar a sua vida de modo a se sustentarem e crescer para pagarem as dívidas contraídas.

 

Não me dá sossego a sorte de Portugal,

Com um governo para servir uns quantos,

Sempre fazendo leis para tornarem legal,

O roubo que poucos vão fazendo a tantos.

 

Os banqueiros desempenham essa função de emprestar, mas o fazem com dinheiro que lhes foi confiado vindo dos que o conseguiram acumular, usando o sistema, quantas vezes também com corrupção e crime e possuem poder na mesma proporção das fortunas, porque o dinheiro tudo compra, dando origem a uma democracia de desigualdade, a única da qual gostam, ou mesmo a que admitem com o seu poder, estando numa posição de grande vantagem em comparação com a maioria da sociedade.

Assim, quando os que querem fazer algo ou simplesmente estão aflitos e é preciso dinheiro, recebem do banco os empréstimos para as suas vidas e se não conseguirem pagar podem ter que pedir mais, por vezes para pagar o que antes lhes foi emprestado e pode chegar a tal ponto que os banqueiros têm os aflitos dominados e chantageados sem qualquer possibilidade de pagar, sempre pela ordem do que mais tem, mais dominam e como pagar é antes de ser honesto o ter o dinheiro, se cria uma espécie de arranjo de peças de dominó que basta as primeiras caírem para tudo desmoronar.

 

Se uma grande máquina de absorver,

Tem que ser de modo crescente servida,

Que quanto mais suga maior é o seu poder,

Parará, se do que se alimenta for impedida.

 

É o caso da situação do Estado português que não é diferente o mecanismo. O nosso país e a sociedade foram empobrecidos com a austeridade e com isso contraído o consumo fazendo definhar todas as actividades, e a impossibilidade de pagar os empréstimos e a ter que pedir mais para pagar os contraídos. Sempre pela ordem dos têm maior poder, em que em relação ao Estado, são já os internacionais. Estes se sobrepõem ao ponto de serem os próprios banqueiros nacionais que lidando com dinheiro que não lhes pertence, são apanhados, e no processo o país fica colonizado, não passando o governo de Portugal de um mero governador geral da colónia, ao serviço dos banqueiros mundiais.

 

Vejo enormes peixes num mar a encapelar,

Se alimentando de pequenos fáceis de digerir,

Quando os pequenos começam a escassear,

Comem os que em tamanho estão a seguir.

 

Se estes colonizadores conseguirem manter a colonização, é evidente que espoliarão e castigarão sabe-se até que ponto o povo português que é quem menos culpa tem.

O que acontece ao mundo funcionando sob esta realidade, é a riqueza com tempo e juros se concentrar em cada vez menos actores, dominando o mundo, especulando e chantageando, em que, quanto mais têm, mais canalizam e tudo um dia lhes pertenceria se nada lhes correr mal. Isto que é facilmente observável faz o meu anticapitalismo e a minha conclusão que é o egoísmo que gere o mundo. Portanto não se trata de uma visão ideológica, mas o capitalismo segundo a aritmética, tornando  claro que há um conflito do capitalismo com a sociedade e que se for esta sempre a perder, a miséria dos povos não terá fim o que se sente já nas nossas vidas e se está tornando exponencial, num planeta cuja economia teria que crescer sempre, quando isso é cada vez mais difícil pois a competição pelos recursos é cada vez maior. 

 

O poder do mundo comandado pela usura,

Dos que só no ter encontram a felicidade,

São os que desprezam tudo o que é cultura,

Sentem volúpia com a pobreza e desigualdade

 

Poeta Maldito

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por opoetamaldito às 20:17

Domingo, 20.07.14

Quando os fins justificam todos os meios (ironia)

 

Não vejo a justiça do capitalismo,

Nela é tão grande o meu descrer

Junto com a mentira e cinismo,

Fazem a minha vontade de o combater.

 

A MÁQUINA

 

Para se atingirem os fins se justificam todos os meios (atenção que este post tem ironia)

 

Se estivermos a trabalhar com um tractor tendo atrás de si uma alfaia agrícola, esta, se apanhar um ser humano no seu caminho destrutivo e triturador o triturará também, pois a máquina sem consciência não sente piedade pelo que lhe aparece pela frente, logo tem que ser o seu condutor que tem que ter cuidado.

Este facto tão simples é para fazer entender o que é um regime político funcionando como uma máquina.

O nazismo era um regime político tipo máquina, porque tinha uma característica comum com o tractor aqui descrito. Era preciso fazer uma sociedade perfeita e próspera não importava quem a máquina tivesse que triturar, ela tinha que, simplesmente fazer o seu trabalho. Esse trabalho era o aperfeiçoamento da sociedade que começou com os seus próprios cidadãos deficientes passando pela trituração de todos os indesejáveis e a sua acção se estenderia a todo o mundo se a máquina entretanto não tivesse sido destruída.

Descrito o que foi o comportamento da máquina do nazismo, passo a dizer que comecei a abominar o comportamento dos que, têm a tarefa de enganar os cidadãos do meu país, fazendo nos ecrãs propaganda política a favor de uma outra máquina um pouco menos tenebrosa por ora.

Porque me interesso por assuntos de natureza social e política, decidi eu próprio observar como funciona a sociedade capitalista e a relação que esta tem com a crise que atingiu Portugal que tanto nos angustia.

 

Uma máquina desprovida de sentimento,

Na sua trajectória tudo leva a eito,

Ela não se importa com o sofrimento,

Quando um trabalho tem que ser feito.

 

Os comunicadores desta máquina jamais pondo em causa o sistema, são tão competentes e honestos quando falam nos ecrãs ao serviço da dupla poder económico governo, como a saída da crise é lá para os anos de troca o passo e qualquer coisa, como excelentes são os sinais de recuperação económica.

Assim sendo, decidi que faria eu mesmo o meu próprio pensamento político porque essa cambada de opinion makers não passa também de uma sob máquina que tem um propósito bem definido: o de enganar os portugueses.

Dizem os adoradores do capitalismo que este é o sistema mais perfeito que existe, porque permeia os mais inteligentes e diligentes, sendo esses predicados que fazem as diferenças benéficas entre os homens, diferenças que são o motor do progresso de tudo quanto os cidadãos beneficiam.

O princípio visto por simplórios até parece estar correcto. De facto, a sociedade capitalista podia-se desenvolver sem semear as injustiças e o lucro podia ser tão legítimo como receber um salário pelo trabalho que se produz para um capitalista. Porém, os que acumulam a riqueza nem sempre pelo lucro legítimo mas pelo crime também, a certa altura controlam o poder, primeiro em cada país, depois a nível global e isso faz o problema do capitalismo.

O capitalismo evita as crises com crescimento sempre contínuo das economias, só que, o mundo é redondo e é finito e por isso não pode crescer indefinidamente e todos ao mesmo tempo.

A necessidade de crescimento de todas as economias dá uma competição global pelos recursos de toda a ordem. É, a tão falada globalização, mas não devidamente explicada como ela é um grave problema que o capitalismo não consegue resolver.

Crescer então para onde? Quando havia um mundo por explorar e povos atrasados, o capitalismo estendia-se e crescia captando recursos para crescer. Crescia com a colonização e com as relações injustas, pois é vital crescer para o capitalismo poder funcionar. Só que, é cada vez mais difícil, os povos estão cada vez mais esclarecidos. Portugal, para os atentos, é claramente um país que está sofrendo as consequências do capitalismo a nos querer, ou já nos tendo colonizado. E isto não é claro para os que estão distraídos, que, infelizmente são a maioria que não se apercebem, pois a cultura política é baixa.

 

Competência substituída pela maldade,

Para cumprir o desígnio do capitalismo,

O poder começa a ter laivos de crueldade,

E pode fazer avançar um soft nazismo.

 

De facto o capital fez a acumulação a níveis tais que comanda o poder político através da chantagem, ou simplesmente comprando as consciências, e usa esse facto para acelerar mais a acumulação, que por sua vez é mais poder. São as fortunas que untam os políticos e corrompem as consciências do poder. Podemos ver que ministros e secretários e partidos de direita estão umbilicalmente ligados aos grupos económicos e a sociedade capitalista não é mais para, os mais competentes, mas para os mais ardilosos, os mais corruptos e os que mais dominam o poder nos seus diversos níveis. As grandes quantidades de dinheiro que existem algures a que dão o nome de mercados são uma máquina trituradora de bem estar e felicidade conduzida por quem lhes perdeu o controle ou não a deseja controlar. As desigualdades tornam-se gritantes como todos podemos ver. A riqueza a nível mundial comanda todos os políticos fazendo todo o tipo de leis e mecanismo para defenderem e aumentarem esse poder e fortunas. Como a acumulação têm como reverso o empobrecimento generalizado, impossibilita a sociedade capitalista funcionar ou funciona com os problemas que todos sentimos que são resultantes da exploração que levou à acumulação.

Esta é a realidade presente denunciada mesmo por alguns homens dos 0,01% mais ricos da América, dizendo que inevitavelmente os mais ricos de mundo irão ter que fugir à frente de forquilhas como a história mostra, é que acontece quando uma economia se torna feudal. (Em baixo coloco um link que leva ao que escreve um americano, só Facebook) Não é no entanto, o consenso geral das oligarquias financeiras mundiais, essas são maioritariamente, pelo, quanto mais concentração da riqueza, melhor acham eles.

Então como é que eles procuram resolver o problema do capitalismo?

É o recurso ao poder tipo máquina. Esta não quer saber do sofrimento humano para coisa nenhuma. Há um trabalho a ser feito e far-se-á.

O capitalismo com o poder no mundo a trabalhar para si, tem um fim determinante: o de se defender dos injustiçados pelo sistema, e é tão determinante que se torna num fim que justifica todos meios. Esta máquina tem por função o esmagamento do ser humano porque a defesa das suas fortunas se tornaram num trabalho a ser feito custe o que custar e a quem custar. E é por isso que o capitalismo já se está a tornar numa forma soft de nazismo e poderá eventualmente se tornar tão hediondo como foi o de Hitler.

Com esta opinião mostro porque sou (e pela certa não estarei só) um militante anti-imperialista autónomo no Facebook.

 

Quem não se importa de ser tramado,

E também sente pela política desprezo,

Contra si próprio vai ser manipulado,

Na frente de um ecrã aceso.

 

Poeta Maldito

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por opoetamaldito às 12:45

Quinta-feira, 10.07.14

O anti-comunismo





Tu que usas o anticomunismo na militância,

É porque não consegue o mundo entender

És empurrados pela ignorância,

Ou tens grandes privilégios a defender?



Vêem-se por aqui comentários que não consigo evitar comentar, por serem indicativos que são de quem não percebe bem o mundo onde vive.

É perfeitamente compreensível que, quem tem grandes privilégios a defender, seja anticomunista e não goste de ouvir discursos contra as desigualdades, por sentirem que os seus privilégios possam estar a ser visados em favor de justiça social. Só se pode compreender naquele que só têm a ganhar com uma sociedade mais justa, por não entender que esse preconceito é contra si próprio que actua.

Não perceber a natureza do capitalismo faz com que muitas pessoas escolham os inimigos errados por puro preconceito ou por ignorância. Por isso, não sabem do que é feita a crise e que as suas ideias políticas, atitudes e as suas escolhas, têm em última análise relação com esta, e quando combatem quem quer uma sociedade mais justa, estão afinal pelejando contra si próprias. Não faltando contudo os que sabem que as injustiças são a sua grande riqueza e para esses é compreensível não gostarem de ouvir falar em justiça social.

Os que alardeiam esse preconceito será que têm consciência de quanto são devedores aos que tanto odeiam. Sendo legítimo cada um seja livre de ter preconceitos com base no que quer que seja, também é legítimo quem não os tem, dizer o que pensa desses preconceitos.

O anticomunismo só se pode explicar naqueles que não têm a mais pequena noção de quanto teve o capitalismo de melhorar a vida dos que vivem do seu trabalho. E que isso só aconteceu devido à revolução socialista na Rússia. São incapazes de ver essa realidade por limitação cultural, nem mesmo agora, depois desses regimes terem colapsado, como a vida dos trabalhadores está voltando aos poucos, aos tempos anteriores aos dessa tão odiada revolução. Assim sendo, só se pode admitir o ódio aos comunistas por dois motivos: ignorância, ou nos que, possuindo grandes privilégios receiem que uma sociedade mais justa os afecte.



Anticomunismo

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por opoetamaldito às 21:06


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